
Pinball Cósmico de Deus no Espaço Sideral
Escrito por zanzes às 12h34
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Condomínio Via-Láctea
A lua nova sobre o arranha-céu
Com rímel de nuvens e sorriso de miss
Não sabe de janelas abertas
No enorme Edifício Vulgata
De arquitetura espacial.
O edifício e o condomínio têm luas
Como tem ruínas e alguns fantasmas
Da rua olho todos os sinais
Janelas abertas são ruas no breu
Muito além do noturnal.
A lua e o breu noturno alto céu
O condomínio e seus desenredos
As luzes e as janelas abertas
Talvez a Lua seja uma
Válvula de escape sideral.
........................................................
No céu noturno da cidade grande
O prédio é só cimento armado
Mas a lua é uma janela
No Condomínio Via Láctea
Como um jogo de pinball.
-0-
Silas Correa Leite
E-mail: poesilas@terra.com.br
www.itarare.com.br/silas.htm

Escrito por zanzes às 12h20
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Travessia
Um homem insone reclama um poema Caminho no encalço, desviando de um grilo, que surge do nada Numa cidade grande ouço o canto de um galo (Alguém tem um galo em um apartamento?) Aquele que pede um poema também está numa "terra que não é dele, nem é dele aquele lugar" Receio de plagiar Travessia, mas, a própria não se inspirou em Verde que te quiero verde? Tudo já foi dito... É intertextualidade, os esperançosos justificam, Me envolvo no preparo de um chá e engulo meus pobres versos
Rita Pereira - de Uruguaiana-RS

Escrito por zanzes às 20h44
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Poema do Dia do Aniversário (19.08.52)

“O homem sofre por viver na solidão,
impotente diante dos obstáculos,
condenado à espera inútil e aos
desejos eternamente insatisfeitos.
Nenhuma magia o liberta de seu
destino trágico(...)” Ivan Marques
Faço anos, como quem morre.
Uma pessoa como eu, não faz anos, dura.
Fui feito de sangue, suor e lágrimas
E assim vou me levando, sem lenço e sem documento.
O dia do aniversário da gente
É o dia mais triste do mundo
Deixamos a seguridade do planeta placenta
E viemos dar no inferno da terra, a escória do espaço.
Longe de Itararé, da casa da mãe
O mundo é cainho, uma mixórdia
Tento sobreviver nem querendo parecer humano
E me fujo na poesia, no escrever diários de abordagens.
O dia do nascimento de uma pessoa triste
É como o dia de sua morte, no devir
Nada antes, nada depois, somos o nada
E escrever sobre a espécie é aprimorar técnicas de vôos.
Agosto é um mês de lunáticos e lobos
E sendo eu um poeta que perdeu a infância
Corro-me criança por aí a escrever matizes
Tentando na poesia ter um mundo imaginário, além-luz
Faço aniversário como quem morre, como quem sobrevive a vegetar
Longe de casa, longe da mãe, de Itararé, de mim; do meu próprio estar
O que eu sou é meio lobo, meio criança, meio terráqueo a se procurar
Apontando para uma ilha no céu e pedindo resgate, socorro, Lar.
-0-
Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br
www.itarare.com.br/silas.htm
Poema da Série “Na Casa do Pai Há Muitas Geladas”

Escrito por zanzes às 10h52
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INUTILEZAS LETRAIS
Escrevo mistérios, pesadelos e fantasmas.
Escrevo como seqüelas de neuras e pavores herdados da infância pobre
E da juventude triste.
Todos os ressentimentos e amargura trazidos
Pelo meu lado sentidor, de dentro da alma entrevada.
E assim, entre a fome e a solidão
Feito um mero átimo de grão de areia no cosmo
Eu escrevo as irrazões, os dezelos e as inutilezas da vida.
Vivo num mundo sem salvação
Daí a poesia
Companhia
Daí a ficção-angústia
A angústia-vívere letral da minha horrenda criação.
Tento fazer salmos como válvulas de escape
Baladas rueiras como saídas de emergência de meu espírito
Mas o meu coração é um desfiladeiro
E entre a sombra e a escuridão
Vegeto.
Poeto.
-0-
Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br
Site: www.itarare.com.br/silas.htm
Poema da Série “Sampa, Agoniza Mas Não Morde”

Escrito por zanzes às 10h32
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Medalha de Lágrimas
Ao Judoca Eduardo Santos
A olimpíada é uma concentração
De medalhas, que são de vis metais
O orgulho, o suor e o sangue
Formam o ser muito antes e além da vitória
Porque a vitória é no interior
E no caráter, concorrer é sempre
O pódium pode ser a vida inteira
Você vencendo batalhas, sobrevivendo...
Alguns minutos de fama
Na são mais importante do que você
A sua fibra, a sua determinação
Independem da vitória na olimpíada
Mas você nos deu outra medalha
De lágrimas - que vale muito mais
Do que o ouro, a prata o bronze
Você está muito além dos vis metais
Suas lágrimas formam a bandeira
São sua vida: como a sua marca
Porque lutar é sempre e a vida
Constrói heróis, além das lágrimas
-0-
Silas Correa Leite -E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogues: www.portas-lapsos.zip.net
Ou: www.campodetrigocomcorvos.zip.net

Escrito por zanzes às 23h19
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QUE UM DIA VOCE NÃO SE PERCA
Que um dia você não se perca entre a cozinha e o corredor. Que vire Houdini e abra correntes e baús fechados. Que não assuma dívidas por maternas fibras desdobradas. Que não se obrigue a nada que o coração não mandar. Que não tenha medo do mundo nem das cidades nem dos subúrbios. Que não tema o pânico de si e como spiderman agarre sua alma. Que se perca em amores impossíveis mas possibilite-se. Que desperdice o tempo pois a vida não usa relógio. Que cresça, diminua, encolha e alargue quando der na veneta. Que desoriente como Alice, que apresse como o coelho, que escape como Snark, que confunda como Peter Pan. Que fuja de Otelo mas persiga noites quentes de verão. Que seja o que já é o que será e o que já foi sendo.
-0-

Marcia Frazão
www.marciarfrazao.blogspot.com

Escrito por zanzes às 16h42
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Poeta Anna Akhamátova, Russia

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SEPARAÇÃO
Nem semanas nem meses - anos levamos nos separando. Eis, finalmente, o gelo da liberdade verdadeira e as cinzentas guirlandas na fachada dos templos.
Não mais traições, não mais enganos, e não me terás mais de ficar ouvindo até o amanhecer, enquanto flui o riacho das provas da minha mais perfeita inocência.
(1940)
MÚSICA
"Algo de miraculoso arde nela, fronteiras ela molda aos nossos olhos. É a única que continua a me falar depois que todo o resto tem medo de estar perto. Depois que o último amigo tiver desviado o seu olhar ela ainda estará comigo no meu túmulo, como se fosse o canto do primeiro trovão, ou como se todas as flores explodissem em versos."
DE "OS MISTÉRIOS DO OFÍCIO"
"De que servem exércitos de canções e o encanto das elegias sentimentais? Para mim, na poesia, tudo tem de ser desmesurado, e não do jeito como todo mundo faz.
Se vocês soubessem de que lixeira saem, desavergonhados, os versos, como dente-de-leão que brota ao pé da cerca, como a bardana ou o cogumelo.
Um grito que vem do coração, o cheiro fresco de alcatrão, o bolor oculto na parede... E, de repente, a poesia soa, calorosa, terna, Para a minha e tua alegria."
ATRAVÉS DOS ESPELHOS (dois poetas e a musa)
"Esta beldade é muito jovem mas não é deste século. Não ficamos sozinhos pois - a terceira - ela nunca nos abandona. Puxas para ela uma cadeira e eu, generosamente, divido com ela minhas flores... O que estamos fazendo - nem nós mesmos sabemos mas, a cada momento, mais isso nos assusta... Como quem saiu da prisão, sabemos algo um do outro, algo terrível. Estamos num círculo infernal. Mas talvez isto não sejamos nós."
TREZE VERSOS
E finalmente pronunciaste a palavra não como quem se ajoelha, mas como quem escapa da prisão e vê o sagrado dossel das bétulas através do arco-íris do pranto involuntário. E à tua volta cantou o silêncio e um sol muito puro clareou a escuridão e o mundo por um instante transformou-se e estranhamente mudou o sabor do vinho. E até eu, que fora destinada da palavra divina a ser a assassina, calei-me, quase com devoção, para poder prolongar esse instante abençoado.
À MUSA
Quanto, à noite, espero a tua chegada, a vida me parece suspensa por um fio. Que importam juventude, glória, liberdade, quando enfim aparece a hóspede querida trazendo nas mãos a sua rústica flauta? Ei-la que vem. Soergue o seu véu, olha para mim atentamente. E lhe pergunto: "Foste tu quem a Dante ditou as páginas do Inferno?". E ela: "Sim, fui eu".
Do Livro "Anna Akhmátova - Poesia: 1912-1964" Tradução de Lauro Machado Coelho Editora L&PM, 1991.
Escrito por zanzes às 14h36
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Solivan Brugnara
Orações ecumênicas ou sombras divinas
Buda descansou a sombra de uma árvore. A árvore morreu mas sua sombra ainda esta lá.
Shiva, com todos esses braços sua sombra parece com a de uma árvore.
Maomé alimentou com sua sombra um leão esfomeado.
Tupã disse aos Tamoios. - A harpia voa mas sua sombra rasteja na terra.
Jesus ficou parado sob o sol escaldante porque um menino dormia no frescor mentolado de sua sombra.

Escrito por zanzes às 13h19
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Escrito por zanzes às 12h49
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Pinóquio de Chuchu, Vade Retro!
Faliu o Estado e Agora Quer Falir a Capital?

Escrito por zanzes às 12h38
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Tempo Cinza, Agosto em Sampa
Para Arrigo Barnabé
Tempo cinza. Nuvens de chumbo sobre Sampa.
O psicólogo na esquina procura se encontrar.
Algumas dálias negras ainda sobrevivem.
Cheiro de sangue seco, esgotos a céu aberto.
Escrevo como quem retrata uma paleta íntima de neuras.
Tempo cinza. Itararé é um polaroid na saudade.
Balas perdidas e bares cheios de cabeças vazias.
Um radinho roufenho esplende um jazz.
Crianças na rua da amargura mendigam
Escrevo como quem se insere num contexto de depredação.
Tempo cinza. A cerveja preta tem espuma no gargalo.
A amargura tem radiação de ódio urbano.
Núcleos de abandonos são seres quase ovelhas.
Tudo é deprimente nesse agosto meio furta-cor.
Escrevo porque não saberia me matar sem poesia.
-0-
Silas Correa Leite, Sampa, Agosto, Chuvas
Saudades de Itararé – E-mail: poesilas@terra.com.br
Poema da Série: Augusta Sampa, Agoniza Mas Não Morde
Blogues: www.portas-lapsos.zip.net
Ou: www.campodetrigocomcorvos.zip.net

Escrito por zanzes às 10h34
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Escrito por zanzes às 12h06
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- Pai, por que tem um boneco igualzinho a mim lá dentro? - indagou,
ao desembarcar do Trem Fantasma, o pimpolho de Dr. Frank.
Carlos Cruz
Escrito por zanzes às 10h05
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Solitário (Poema)
sim, sou solitário não me rendo à sociedade em sua voraz vontade de me fazer contrário
é, também sou incompleto sem chão nem teto
o que sonhei já foi tarde sobro um covarde
tudo que eu queria (um dia) era acordar satisfeito dos meus feitos
mas só restam os defeitos
Escrito por zanzes às 09h59
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