RITA Verônica Franco de SANTANA, nasceu em 22 agosto de 1969, na cidade de Ilhéus, na Bahia. A ESCRITORA: Publicou seus contos no Diário da Tarde, de Ilhéus e no suplemento cultural do jornal A Tarde, de Salvador, no período em que era editado pelo poeta Florisvaldo Mattos; foi uma das coordenadoras do projeto Universidade em Verso, na UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz). Em 2004 publicou o livro de contos Tramela através da Fundação Casa de Jorge Amado, com o prêmio Braskem de Cultura e Arte Literatura – 2004, para autores inéditos. Em 2005 participa da antologia Mão Cheia. Em 2006 publica o livro de poesia Tratado das Veias, através de seleção feita pelo selo As Letras da Bahia, Fundação Cultural do Estado da Bahia. Em 2005 participa da Bienal do Livro da Bahia no projeto Porto da Poesia, organizado pelos editores da revista Iararana. Em 2007, participa da Bienal do Livro da Bahia no Café Literário.
A ATRIZ: Atuou em algumas peças infantis, com destaque para PLUFT, O FANTASMINHA, de Maria Clara Machado, com direção de Pedro Mattos (Ilhéus - 1987/89), interpretando a Mãe de Pluft. Participou de recitais de poesia e feiras culturais no interior da Bahia, explorando o teatro de rua, ao ser uma das fundadoras do grupo “Caras e Máscaras” (Ilhéus - 1990/95). Integrou o elenco de DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS, adaptação do romance homônimo de Jorge Amado, com direção de Fernando Guerreiro (Ilhéus/Salvador - 1992), interpretando Dionísia de Oxóssi. Integrou o elenco da primeira fase da novela RENASCER, produzida pela Rede Globo de Televisão (1993), interpretando a personagem “Flor”. Pequena participação no filme TIETA DO AGRESTE, de Cacá Diegues (1995), interpretando a personagem Tonha (jovem). Integrou o elenco de ERA UMA VEZ UMA MATA, espetáculo infantil de Rita Brito, com direção de Jorge Borges (1998), vivendo a Caipora. Integrou o elenco da montagem FAUSTO ZERO, clássico de Goethe, no Teatro Vila Velha, com direção de Marcio Meirelles (1999), representando Margarida, a amada de Fausto. Integrou o elenco do curta PIXAIM, sob a direção de Fernando Belens (2000), interpretando Adalice. Participou do longa ESSES MOÇOS (2002), dirigido por José Araripe, interpretando Marli. Participou do longa EU ME LEMBRO (2002), dirigido por Edgard Navarro, onde interpretou Lene. Integrou o elenco do episódio “O VESTIDO DE OTÁLIA”, produzido pela TV Globo e dirigido por Sérgio Machado, interpretando a mulher de Cravo na Lapela, em 2002. Em 2006 atuou no filme “JARDIM DAS FOLHAS SAGRADAS” de Póla Ribeiro.
AI DE MIM!
Deu de abrir comissuras na minha pele, Porque ele partiu. E nunca mais voltou pra minha alcova, Pro meu convento de moça, Pra minhas paúras, Pra minhas pioras de noiva, Pros meus pincéis de Almodóvar, Pra minha cova roxa. Eu fico esperando volta. Ai de nós, mulheres feias! Ai de nós, mulheres tortas!
Deu de abrir fissuras na minha boca, Porque ele partiu. E eu fiquei oca, Fiquei seca, Virei louça, Vivi morta. Ai de nós, mulheres feias! Ai de nós, mulheres tortas!
Deu de abrir fendas no amor, Porque ele partiu, E nunca mais voltou. Eu sucumbi ao sol: Comi calêndulas, Girassóis feridos, Flores de abóboras, Serpentes de vidro. Abri a porta e gritei: Ai de nós, mulheres feias! Ai de nós, mulheres tortas!
Eu nunca disse que o amo porque o amo em silêncio dentro de mim.
Amo-o quando a tarde poisa sobre os telhados e o cheiro do jantar, é o cheiro do crepúsculo. Adora sardinhas fritas beringelas à Milaneza e nas noites frias gosta de sopa.
é também em silêncio que ele se senta à mesa e com um sorriso diz que a vida é suor.. e pondo o café para coar diz que me protege!
depois, pega o filho no colo e mostra as lagartixas na parede da varanda O seu amor tem cheiro de café feito na hora e a alegria, são as samanbaias no quintal enquanto lavo os pratos e ele varre o chão.
Meus olhos estão olhando De muito longe, de muito longe, Das infinitas distâncias Dos abismos interiores. Meus olhos estão a olhar do extremo longínquo Para você que está diante de mim Se eu estendesse a mão, tocaria a sua face. Mas os cinco dedos pendem como um lírio murcho Ao longo do vestido.
Aqui tudo é leve, silencioso, indefinido, Imóvel. Não tenho mais limites. Tornei-me fluida como o ar. Seus olhos têm apelos magnéticos, Mas estou abismada Em profundezas infinitas.